Tipo de chuteira adequado para cada gramado

Por Ailton Fragnan.

De uma maneira geral, atualmente existem três espécies importantes quanto às características das travas das chuteiras: 1. trava de pino ou trava arredondada, que proporciona facilidade importante de giro do pé que está apoiado sobre o gramado, no momento de estabilização, ação motora de mudança de direção ou deslocamento; 2. trava longitudinal ou trava quadrada ou trava retangular (também conhecida no ambiente futebolístico como “dente de tubarão” ou ainda, “barbatana de tubarão”, pelo formato característico das travas), c) trava mista, uma composição contendo os dois tipos de travas destacados anteriormente, colocados em pontos estratégicos da sola da chuteira. Vale observar que o número de travas existentes variam em conformidade com os modelos e tipos dos fabricantes.

A visão dos especialistas

Muitos especialistas relatam parecer importante sobre o grau de participação das chuteiras nas lesões de joelho dos jogadores de futebol.Para o Dr. René Jorge Abdalla, renomado ortopedista do Hospital do Coração – HCor , o rompimento do ligamento cruzado anterior de joelho (LCA) pode ter influência de muitos fatores como chuteiras, condições do gramado, excesso de treino e fadiga muscular, pelo fato do futebol atual estar mais competitivo e vigoroso que no futebol do passado. Os solados das chuteiras não tem mais aquela série de pinos, e sim travas achatadas dispostas de maneira longitudinal, que prendem o pé do jogador ao chão em determinadas circunstâncias, podendo facilitar a ocorrência de entorses. Também relata um detalhe importante: “além das chuteiras ‘dente de tubarão’, que foram comprovadas cientificamente por serem uma das causas das lesões dos atletas, temos que observar ainda os gramados (se tiverem muito seco, maior o risco de lesões), o excesso de treino também pode causar fadiga muscular, além da idade dos jogadores. Os  traumas mais freqüentes que promovem lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) são as torções e “choques” direto contra o joelho e durante práticas esportivas, o joelho é forçado a uma posição anormal resultando em ruptura de um ou mais ligamentos.

Existe uma incidência no mundo de que a lesão se dá no começo ou no final do jogo, ou quando o jogador não está adequadamente aquecido e a musculatura não está potencialmente ativada, ao qual interfere na velocidade de reação do jogador e nas respostas à estímulos mais rápidos no jogo. Os jogadores não estão se aquecendo corretamente. Mal-aquecido, o jogador entra numa estafa e não consegue manter o que nós chamamos de “reação da coxa” para segurar o joelho.

As chuteiras de trava de pino arredondadas (mais antigas) biomecanicamente conseguem girar 1 (um) milímetro quando o pé está apoiado, poupando desta forma qualquer prejuízo ao ligamento. Por outro lado, as chuteiras com trava longitudinal provoca maior fixação do pé apoiado, impedindo seu giro na ação seguinte de movimento, e isto não é bom, pois desencadeia sobrecarga articular. A maioria dos jogadores com lesão do ligamento cruzado utilizavam as chuteiras de trava longitudinal. Pode existir lesão com as chuteiras de trava arredondada, mas não com está incidência. Tanta ocorrência da lesão do LCA não pode ser comparada à fatalidade (fatalidade é o mesmo que ser assaltado uma vez na avenida Rebouças em São Paulo, mas trezes vezes deixa de ser considerado fatalidade). Hoje se fortalece as estruturas que suportam o joelho e a manutenção muscular é importante pelo excesso da atividade física provocada pelos jogos, as chuteiras modernas, de todos os fabricantes, possuem travas bem mais longas do que as antigas. Elas entram fundo no gramado e muitas vezes travam a perna do jogador.

O médico esportivo Dr. José Luiz Runco, um dos grandes expoentes da área, em depoimento ao referido programa esportivo (Redação Sportv; ) destacou que, felizmente, a evolução da medicina esportiva tem permitido o retorno à atividade normal do jogador de futebol nos gramados esportivos, após tratamento e recuperação da lesão de joelho. Entretanto, José Luiz Runco não acredita que o equipamento seja o causador de alguns tipos de lesões: pode ser que seja a quantidade de jogos, o desgaste físico, considerando-se que o ritmo de jogo no futebol atual é muito intenso. Acho muito difícil que a culpa seja dos gramados, porque temos visto muitas lesões na Europa, também, e lá os gramados são tapetes. Também acho difícil que a culpa seja das chuteiras, que são muito modernas e leves, hoje em dia. Acho que o problema é mesmo a intensidade dos jogos.

O médico da Sociedade Esportiva Palmeiras, devido a ocorrência de muitas lesões de joelho dos jogadores palmeirenses, fez a seguinte ressalva quanto ao tipo de chuteiras produzidas pelos fornecedores de materiais esportivos em geral: “aquelas com travas longitudinais são ruins. Elas fixam o pé do jogador no campo e o atleta não consegue girar. A força de tração está sendo maior do que o ligamento (do joelho) pode agüentar.

Émerson Leão, técnico de ponta do futebol brasileiro, quando treinador do Clube Atlético Mineiro, em fevereiro de 2009, mencionou a seguinte frase em uma entrevista coletiva à imprensa esportiva, referindo-se à incidência de lesão do ligamento cruzado: “eu nunca vi estourar tanto ligamento cruzado como está estourando. Sempre critiquei esses novos materiais esportivos, as chuteiras. Jovens jogadores já começam a profissão sofrendo um trauma muito grande, que é uma cirurgia delicada”. O treinador lembrou que não é especialista no assunto, mas reclama que as chuteiras são muito leves e flexíveis, diferentes das que ele usava na época em que era jogador. Ele enfatiza também o fato de que os jogadores estão mais fortes.

Para Leão, as travas são as grandes vilãs dos joelhos: “eu não usaria chuteira que não tivesse trava redonda, pois esse modelo gira conforme seu corpo. Já as travas retangulares não giram, o que vai girar é o ligamento e a faca no joelho”. O treinador também destacou que clubes do exterior já proíbem certos tipos de chuteiras: “eu sou um crítico, mas sou meio que uma voz sozinha. No exterior, alguns grandes clubes depois de cinco, seis cirurgias de ligamento cruzado, proibiram certas chuteiras, porque os atletas representam, antes de mais nada, a felicidade do torcedor e o patrimônio do clube. Não se pode perder por uma simples vaidade de cor ou de guerra por propaganda.

Fabricantes defendem as chuteiras

As empresas fabricantes de chuteiras publicaram um comunicado de esclarecimento à imprensa esportiva: a Nike e a Adidas, que fabricaram as chuteiras usadas por muitos jogadores lesionados naquele ano, soltaram notas comentando a possibilidade de seus equipamentos estarem prejudicando atletas. A Nike não comentou especulações: “informamos que nossas chuteiras são desenvolvidas a partir de informações dos atletas e, antes de chegarem ao mercado, são submetidas a exaustivos testes para que possam colaborar para desempenho dos jogadores em campo”. Já a Adidas citou até pesquisa feita por um médico alemão: “as travas TRAXION, presentes no modelo Predator da Adidas, existem desde 1995 e são utilizadas por jogadores como Kaká, Michael Ballack, David Beckham, Zinedine Zidane, entre outros. Um estudo independente realizado em 2006, na Alemanha, pelo Dr. Albert Gollhofer, do Instituto de Ciências do Esporte da University of Freiburg, concluiu que as travas Traxion exercem menos pressão sobre os ligamentos do tornozelo e do joelho do que outros seis tipos de travas estudadas, oferecendo proteção adicional ao atleta”.

CAMPO SECO: GRAMA ALTA

É recomendável o uso: CHUTEIRAS SOCIETY OU CHUTEIRAS DE TRAVAS BAIXAS ARREDONDADAS.

2) CAMPO SECO: GRAMA BAIXA

Neste caso, é recomendado preferencialmente, CHUTEIRAS SOCIETY. Lembro que estas também possuem travas, menores é claro, mas suficientes para gerar a estabilidade. As chuteiras de campo de TRAVAS BAIXAS ARREDONDADAS, podem ser utilizadas, desde que respeitado o princípio biomecânico da uniformidade da distribuição das travas e se o jogador já adquiriu informação proprioceptiva do calçado.

3) CAMPO MOLHADO: GRAMA ALTA

Não se discute, neste caso, quanto à necessidade de se utilizarem CHUTEIRAS DE TRAVAS ALTAS, porém o ideal é preferir as chuteiras de TRAVAS ALTAS ARREDONDADAS e não as longitudinais. As de travas arredondadas geram mais estabilidade e, conseqüentemente, menor risco de lesão. Já as longitudinais, ao contrário, geram mais instabilidade e podem ocasionar lesões. Não se descarta porém, que possam utilizar chuteiras de travas baixas arredondadas, se o jogador julgar que exista possibilidade para isso, em virtude da qualidade do gramado, e de sua adaptação a determinado modelo.

4) CAMPO MOLHADO: GRAMA BAIXA

Pode-se utilizar neste caso chuteiras de TRAVAS BAIXAS ARREDONDADAS ou até mesmo chuteiras society (estas também possuem travamento diferenciado), já que a grande maioria dos modelos possui boa estabilidade para esta situação.

5) TERRENO DURO, CAMPO IRREGULAR

Indiscutível que se use CHUTEIRAS SOCIETY.

Considerações finais

Muitos especialistas julgam haver algum relacionamento relevante da participação das chuteiras com a incidência freqüente das lesões do ligamento cruzado dos jogadores de futebol, em treinos e nos jogos. Outros, por sua vez, observam a necessidade de maiores estudos científicos comprobatórios sobre o assunto, destacando que as demandas físicas dos jogadores e as intensidades dos jogos são muito mais potencializados nos dias atuais, comparadas às décadas passadas. Mas um fato chama a atenção: qual o valor do ônus de uma lesão de joelho?.


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5 Responses to “Tipo de chuteira adequado para cada gramado”

  1. joao carlos Says:

    Ailton,
    Excelente contribuição sua neste artigo (e tambem nos anteriores).
    Obrigado!
    Joao Carlos

  2. Valeu João Carlos.
    Obrigado, ABS

  3. Ailton,
    Parabens pelo artigo, esgotou o assunto.
    E ainda tem gente defendendo as travas longitudinais…
    Ainda: há uam diferenciação entre jogadoes pesados e leves na escolha das travas?

    abraço

  4. Valeu Edu, gde abs

  5. Vcs devem falar com o Mestre Patané….este sim sabe qual tipo de chuteiras que swe deve jogar…..seu ultimo lançamento; CHUTEIRAS SLICKS, para piso seco.

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